Feita por eles: noivos botam a mão na massa e confeccionam os anéis de noivado das suas amadas

De membros da realeza a astros do esporte, homens têm participado mais da criação das joias usadas no pedido de casamento.

Sam Chatto, sobrinho-neto da Rainha Elizabeth II, é ceramista e faz pequenos objetos de porcelana. Para a noiva, criou um anel único | Crédito: Huseyin Ovayolu

O pedido de casamento pode até durar poucos minutos, mas a escolha do anel costuma carregar meses de intenção, pesquisa e expectativa. Nos últimos anos, esse gesto deixou de passar apenas pela compra de uma joia pronta e passou a envolver também a participação direta de quem vai fazer o pedido.

Foi assim com um membro da realeza britânica. Samuel Chatto, sobrinho-neto da Rainha Elizabeth II, pediu a noiva Eleanor Ekserdjian em casamento com um anel de porcelana feito por ele mesmo. Outro anel que chamou atenção recentemente foi o que Travis Kelce deu a Taylor Swift. O astro da NFL trabalhou com a designer Kindred Lubeck, da Artifex Fine Jewelry, na confecção da peça exclusiva, feita em ouro amarelo com diamante old mine brilliant cut e detalhes gravados à mão. Mas essa não é uma “moda” recente. O príncipe Harry também participou da criação do anel de Meghan Markle, feito pela Cleave & Company com diamante central de Botswana e duas pedras da coleção pessoal da princesa Diana.

O capixaba Caio Peres também procurou uma forma de tornar o pedido de casamento que fez para Livia Pessotti mais pessoal e único. Em vez de apenas escolher uma peça pronta, decidiu confeccionar ele mesmo o anel de noivado da amada, participando de etapas do processo de criação da joia feita em ouro 18 quilates, com três diamantes, entre eles uma pedra central de 0,25 ct . Para a gemóloga e joalheira profissional Giselly Assis, fundadora da Make a Wish Jewel, esse desejo de criar o anel de noivado da amada é uma forma que os noivos têm encontrado para materializar o sentimento e tornar o pedido mais especial.

“O anel de noivado sempre foi uma joia muito simbólica, mas hoje muitos homens querem ir além de escolher uma peça pronta na vitrine, querem produzir algo com mais personalidade, colocando afeto no processo e também, claro, vivendo um momento para eles mesmos. Começando ali toda a história do casamento que envolve tantas pessoas e tantas etapas”, afirma.

Segundo Giselly, a participação masculina pode aparecer de diferentes formas. Em alguns casos, o noivo escolhe o desenho ao lado de um joalheiro. Em outros, define detalhes como tipo de ouro, pedra, lapidação, acabamento e elementos escondidos na peça. Há ainda quem prefira viver uma experiência mais manual, acompanhando e participando de etapas da produção. “O acompanhamento profissional é o que vai garantir que o resultado final da joia seja uma peça bonita e bem acabada. Mas é possível sim que os noivos, mesmo sem experiência prévia em ourivesaria, consigam colocar a mão na massa e imprimir personalidade ao longo do processo”, reforça a gemóloga.

Personalização é tendência, mas não é novidade

A busca por joias mais personalizadas acompanha uma mudança no comportamento dos casais. O anel de noivado, antes associado a modelos mais clássicos e previsíveis, passou a abrir espaço para pedras com cortes menos tradicionais, gemas coloridas, ouro amarelo, gravações, referências familiares, detalhes simbólicos e desenhos feitos sob medida. “Quando o noivo participa da criação, ele passa a entender o valor da joia para além do material. Cada escolha tem um motivo e isso transforma o anel em uma peça mais íntima, além de ser uma ótima história para ser contada ao longo dos anos”, explica Giselly.

Na realeza britânica, por exemplo, esse cuidado aparece há décadas. O Príncipe Philip desenhou pessoalmente o anel de noivado da Rainha Elizabeth II em 1947. Os diamantes foram retirados de uma tiara que pertencia à sua mãe, a Princesa Alice da Grécia. Outro exemplo é o anel de noivado de Meghan Markle, que também ficou conhecido pelo valor simbólico dos materiais escolhidos por Harry: um diamante de Botswana, país ligado à história do casal, e duas pedras da coleção de Diana. Mais recentemente, o caso de Samuel Chatto levou essa personalização a outro campo. Ao criar um anel de porcelana, o jovem aproximou o pedido de casamento do próprio ofício (ele é ceramista), transformando a joia em uma extensão da sua linguagem pessoal.

No caso do capixaba Caio Peres, a busca por uma forma diferente de fazer o pedido de casamento acabou mudando também a maneira como o anel foi escolhido. Durante a definição do modelo, surgiu a oportunidade de participar da confecção da joia. A proposta de acompanhar o processo e colocar a mão na massa fez com que o anel deixasse de ser apenas uma escolha para se tornar parte da história construída antes mesmo do pedido. 

“Poder fazer parte desse processo tão importante foi sensacional. No dia do pedido, a chamei para que ela me ajudasse a escolher algumas fotos para colocar na parede de casa e, no meio delas, estavam os registros das etapas de produção do anel. Assim que viu as imagens, ela entendeu que eu estava a pedindo em casamento com uma aliança com pedras escolhidas por mim e um modelo que participei da confecção. Até hoje, quando mostra a joia para outras pessoas, faz questão de dizer que fui eu quem a fez”, relata.

Esse movimento também amplia o olhar sobre o papel dos homens no casamento. Se antes muitas decisões eram associadas majoritariamente à noiva, agora o pedido, as alianças e as joias começam a se tornar espaços de participação mais ativa dos noivos. “O casamento é feito pelos dois, e o pedido também pode carregar essa construção. Quando o noivo se envolve, ele mostra cuidado, atenção e intenção. Isso não substitui a beleza da joia, mas acrescenta mais uma camada de significado”, conclui a joalheira e gemóloga Giselly Assis.

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