ALUF apresenta “Sorte de Pescador”, coleção SS27 sobre travessia, descoberta e a sorte depoder navegar

Inspirada por José Saramago e Henry Van Dyke, a coleção transforma o imaginário das navegações em texturas, volumes e construções que reafirmam a manualidade como parte da linguagem da marca

Aluf- SPFW N61 | Foto: Marcelo Soubhia/ @agfotosite

“É preciso sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não saímos de nós.” — José Saramago

A partir da reflexão de José Saramago em O Conto da Ilha Desconhecida, a ALUF apresenta Sorte de Pescador, sua coleção SS27, em uma travessia que fala menos sobre chegar e mais sobre aprender a navegar.

A coleção parte da ideia de que, às vezes, é preciso sair da própria ilha para conseguir enxergá-la. Olhar a nossa realidade de diferentes pontos de vista nos faz admirá-la, e entender que, muitas vezes, já vivemos a realidade com a qual um dia tanto sonhamos.

Quando estamos perto demais, vemos aquilo que precisa ser consertado e podemos perder de vista a paisagem inteira. A distância propõe um novo olhar: para o que já foi construído, para aquilo que somos e para o percurso que nos trouxe até aqui.

A narrativa encontra também Fisherman’s Luck, de Henry Van Dyke, e sua ideia particular de sorte. Para o autor, a verdadeira sorte do pescador não está necessariamente na captura, mas na espera, na observação, no contato com a natureza e no tempo dedicado à experiência. A pesca deixa de ser
apenas conquista e passa a ser contemplação.

A sorte, aqui, é navegar. É entender que não importa o tamanho do peixe ou da sua tão almejada conquista final, o prazer e a felicidade se encontram no processo de descoberta, no trajeto. Reconhecer que existe beleza naquilo que acontece enquanto se procura e que o percurso pode transformar tanto quanto o destino.

Na passarela, essa travessia se materializa a partir do universo das navegações. Peixes, redes, mapas, barcos, marés e superfícies aquáticas são transformados em texturas, volumes, bordados e construções. As modelagens são desenvolvidas a partir da imagem das escamas, enquanto blusas são feitas a partir de rendas de algodão e malha que simula a rede.

O azul profundo do mar encontra o azul das cartas náuticas, enquanto a cor prata aparece em chaveiros feitos de iscas de peixe, que conversam com as cores da coleção.

Texturas de algas marinhas são traduzidas na maquete têxtil da Família Ilha. Nós de marinheiro, rendas, malhas e redes constroem novas superfícies sobre o corpo. Presentes tanto em vestidos quanto em bolsas, feitas a partir de nós de marinheiro com fios de couro, unindo o mundo artesanal de ALUF e MILs, brincando com bolsas de macramê finalizadas com bordados, crochê com palha de seda e ráfia, dando origem a chapéus dos mesmos materiais. Algumas peças demandam entre cinco e sete dias de trabalho, em um processo no qual repetição, precisão e cuidado fazem parte da própria construção. Nesta parceria, o tempo se transforma em matéria.

Ao longo da coleção, as silhuetas transitam entre leveza e estrutura. Shapes ajustáveis e construções utilitárias convivem com a fluidez do chiffon, enquanto crochês, tricôs, rendas, metais e superfícies texturizadas ampliam a pesquisa de matéria.

O imaginário da pesca atravessa também o styling com os urus, cestos tradicionais do Norte e Nordeste brasileiro, trançados em palha de carnaúba e presentes no cotidiano da pesca e da mariscagem. Para Sorte de Pescador, foram produzidos artesanalmente por Nêda, mestra e artista popular do Piauí, em um encontro com o Instituto Caburé e o Projeto Delta Mulher. Nessa história está também Regiane, pescadora e marisqueira do Delta do Parnaíba, trazendo o olhar de quem vive esse objeto como parte de seu ofício e de seu território. Feitos à mão, ponto a ponto, os urus chegam à passarela carregando memória, gesto e saber, além do tempo e da paciência de quem faz e de quem vive da maré.

Mais do que referências literais ao mar, esses elementos constroem uma coleção sobre movimento e transformação. A manualidade, presente no processo criativo da ALUF, assume papel central: matéria, gesto e tempo se tornam parte da narrativa.

É também nesse encontro entre matéria, técnica e memória que as colaborações de Sorte de Pescador se conectam à coleção.

Em sua segunda colaboração com a ALUF, a CORRIELA mergulha no universo de Sorte de Pescador por meio das tramas e da construção artesanal. Couro, camurça, madeira, rede e fios de ráfia aparecem em diferentes construções, com bordados e tramas que remetem às redes presentes no imaginário da coleção. A madeira, elemento recorrente na identidade da ALUF, ganha nos saltos um novo desenho desenvolvido especialmente para acompanhar a linguagem da coleção.

Com a ARQVO, a coleção se aproxima da memória guardada nas coisas. Os acessórios são desenvolvidos a partir de conchas que pertencem à mãe de Ana Luisa Fernandes, fundadora e diretora criativa da ALUF. Preservadas em suas imperfeições e características naturais, elas encontram pérolas, cristais e pedras como a fluorita, criando uma tensão entre o bruto e o sofisticado. As peças são produzidas em latão banhado a ouro 18k com verniz italiano.

A parceria com L’OR leva a pesquisa de matéria e cor da coleção a um novo território. O café é utilizado como matéria-prima no tingimento artesanal dos tecidos e, junto à catuaba, dá origem a tonalidades terrosas inspiradas nos cafés e cappuccinos L’OR. A partir dessa investigação, três tons constroem um degradê que remete às curvas e formas orgânicas de uma xícara de cappuccino.

O processo continua na construção das peças: tiras de tecido são cortadas e costuradas individualmente sobre a base até alcançarem volume e forma. Modelos já presentes no repertório da ALUF, como o Vestido Orla e a Camisa Brisa, ganham novas interpretações, aproximando a pesquisa têxtil da marca do universo cromático de L’OR.

Entre as peças da coleção, uma foi desenvolvida para desafiar o paradigma de primavera/verão e outono/inverno, inspirada no primeiro cappuccino da L’OR, que pode ser preparado tanto quente quanto frio.

Em Sorte de Pescador, a ALUF transforma a espera em roupa e faz da passarela um lugar de travessia.

Um convite para sair da ilha.
Navegar.
Olhar de novo.
E voltar diferente.

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