Loro Piana chega ao Brasil e mostra por que o luxo discreto conquista consumidores de alta renda

Grife italiana escolhe São Paulo para sua estreia na região; especialista Tamara Lorenzoni analisa o movimento e explica por que exclusividade, matéria-prima e discrição ganharam espaço no mercado de alto padrão

Loro Piana inaugurou a sua primeira loja física no Brasil e a primeira da marca na América Latina – Foto Divulgação

O mercado brasileiro de luxo recebe nesta quinta-feira (5) um dos nomes mais tradicionais da moda italiana. A Loro Piana inaugura sua primeira loja na América Latina no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, marcando a entrada oficial da grife na região. A boutique terá aproximadamente 304 metros quadrados e faz parte de uma parceria exclusiva com a JHSF, responsável pelo empreendimento.

Integrante do grupo LVMH, a marca construiu sua reputação internacional a partir do trabalho com matérias-primas nobres, como cashmere, lã merino e vicunha, além de peças que privilegiam acabamento, qualidade e durabilidade. Diferentemente de grifes que apostam em logotipos aparentes e elementos visuais chamativos, a Loro Piana tem no luxo discreto uma de suas principais características.

Para Tamara Lorenzoni, estrategista de marcas com atuação internacional, fundadora da Lorenzoni & Co. e especialista em mercado de luxo, a chegada da grife ao país acompanha uma transformação na maneira como o consumidor de alta renda reconhece o valor de uma marca. “O luxo deixou de depender tanto da exposição de logotipos e passou a ser percebido também naquilo que nem sempre está visível. A origem da matéria-prima, o cuidado na produção, a qualidade do acabamento e a história por trás de uma peça são atributos que constroem valor e justificam seu posicionamento. É um consumidor que não busca apenas identificar uma marca, mas compreender o que existe por trás dela”, analisa.

Loro Piana inaugurou a sua primeira loja física no Brasil e a primeira da marca na América Latina – Foto Divulgação

A especialista observa que o chamado quiet luxury não representa apenas uma tendência estética, mas uma mudança na construção de desejo das grandes maisons. Nesse modelo, a exclusividade está menos associada à ostentação e mais à procedência, à qualidade e à experiência oferecida ao cliente. “Uma marca de luxo não se torna desejada apenas porque tem preços elevados ou porque está presente nos principais endereços comerciais do mundo. Existe um trabalho de construção de percepção, consistência e identidade. Quando o consumidor reconhece esses atributos, ele entende que está adquirindo algo que vai além do produto”, afirma Tamara.

A escolha de São Paulo para receber a primeira boutique latino-americana também chama atenção para o posicionamento do Brasil no circuito internacional do luxo. A inauguração acontece durante a maior expansão da história do Shopping Cidade Jardim, que prevê a incorporação de aproximadamente 3.400 metros quadrados de área locável e a chegada de outras operações internacionais.

Na avaliação de Tamara, a movimentação mostra que o mercado brasileiro ocupa um espaço cada vez mais relevante para marcas que buscam consumidores interessados em produtos exclusivos e experiências diferenciadas. “O mercado de luxo não se sustenta apenas pela oferta de produtos caros. Ele depende de um público que reconheça valor, de marcas que saibam preservar sua identidade e de experiências coerentes com o universo que prometem entregar. A expansão de grifes internacionais no Brasil também demonstra o interesse dessas empresas em se aproximar de um consumidor que acompanha o mercado global e tem referências cada vez mais amplas”, conclui.

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