Com milhares de horas de trabalho manual e inovações em impressão 3D, a marca apresenta uma visão própria da alta moda brasileira, transformando a matéria em formas escultóricas

Entre misticismo, engenharia e alquimia, a Artemisi transforma o trabalho manual brasileiro em uma linguagem contemporânea de alta moda em sua nova coleção de formas escultóricas. Retornando ao São Paulo Fashion Week, a marca criada e dirigida por Mayari Jubini apresenta The Holy Matter. A coleção materializa um extenso processo de pesquisa, estudo, experimentação e desenvolvimento técnico dedicado à transformação da matéria, colocando ao centro de sua narrativa a Engenharia Manual Brasileira.
Em uma coleção na qual todos os 27 looks carregam processos intensos feitos um a um, a marca une técnicas manuais, alta tecnologia e construção escultórica para propor uma visão única. Mais do que aproximar a tecnologia e o feito à mão, a Artemisi trabalha o ponto em que um potencializa o outro. Processos como escaneamento, impressão em três dimensões (3D) e cortes a laser convivem com bordados com relevo e tridimensionalidade, pinturas feitas à mão e processos de acabamento e transformação manual, como modelagem de massas, lixamentos e polimentos.


A escala desse trabalho se traduz em números impressionantes: ao todo, a coleção demandou mais de 20 mil horas de trabalho manual e cerca de 700 mil cristais e pedrarias, aplicados e bordados à mão. O preciosismo e a complexidade do processo também aparecem em peças individuais, com looks que ultrapassam 100 mil cristais aplicados um a um e criações que exigem mais de 1.200 horas de trabalho manual para serem finalizadas. Cada número revela a dimensão de uma construção em que técnica, precisão e tempo são parte essencial do design.
A evolução tecnológica da marca se destaca com a impressão 3D formando novas arquiteturas ao redor do corpo, expandindo-se agora para vestidos completos, além de acessórios como leques e máscaras. Materiais inéditos na passarela da marca, como rendas e tiras de nylon aplicadas manualmente para criar novas silhuetas, unem-se a tecidos em zibeline, crepe e gazar de seda, completando um repertório em que a manualidade não aparece apenas como acabamento, mas como parte estrutural do design.
As máscaras surgem como um dos códigos centrais dessa narrativa: ao mesmo tempo em que ocultam o rosto, constroem novas possibilidades de presença e imagem. A partir do conceito junguiano de persona, a face que cada um assume diante do mundo, a Artemisi explora a tensão entre o parecer e o ser. Assim como a identidade se transforma, a matéria também é transmutada. Metal, cristais e esculturas tridimensionais atravessam sucessivos processos até assumirem novas formas sobre o corpo, dando forma a uma figura que parece não pertencer inteiramente a este mundo.



“Essa coleção é uma valorização do trabalho manual brasileiro. Eu quis mostrar a dimensão e a complexidade que o nosso feito à mão pode alcançar quando ele encontra novas tecnologias. Existe uma engenharia por trás de cada peça: são milhares de elementos, aplicações e bordados. Milhares de horas e muitas mãos construindo uma única forma. Essa é a alta moda em que eu acredito e é essa alta moda que a Artemisi faz”, conta Mayari Jubini, diretora criativa e fundadora da marca.


Em The Holy Matter, a matéria deixa de ser apenas matéria-prima e passa a carregar o tempo e a transformação. O “sagrado” está justamente nesse processo: na capacidade de transformar elementos brutos por meio da técnica, da experimentação e da ação humana. É nessa transformação que se estabelece um diálogo direto com a lógica da alquimia: ultrapassar os limites da própria matéria e tornar possível aquilo que, à primeira vista, parece impossível.
A nova coleção reafirma uma linguagem que a Artemisi desenvolve desde sua origem: uma alta moda brasileira voltada para o futuro, sem abrir mão daquilo que nenhuma tecnologia é capaz de substituir, o tempo, a precisão e a inteligência da mão humana.
