O desfile explorou diferentes fases da maison ao unir elementos históricos, estética contemporânea e referências da Pop Art em uma coleção repleta de simbolismo.

A Louis Vuitton escolheu um dos cenários mais emblemáticos de Nova York para apresentar sua coleção Cruise 2027: o The Frick Collection, tradicional museu instalado em uma antiga mansão da Era Dourada no Upper East Side. O espaço, conhecido por reunir obras-primas da pintura europeia assinadas por nomes como Rembrandt, Vermeer e Fragonard, recebeu o desfile da maison após uma recente restauração conduzida pela arquiteta Annabelle Selldorf, marcando também o início de uma parceria de três anos entre a instituição e a grife francesa.
Criada originalmente para atender viajantes em busca de um guarda-roupa de férias sofisticado, a linha Cruise ganhou nesta temporada uma narrativa ligada à arte e ao deslocamento. Nicolas Ghesquière partiu de uma mala da Louis Vuitton dos anos 1930, decorada manualmente por Keith Haring, para desenvolver a coleção, estabelecendo um diálogo entre o legado artístico do pintor e o universo da maison.



Ao desenvolver a Cruise 2027, Nicolas Ghesquière reforça o diálogo entre Paris e NY, cidades que seguem influenciando sua visão criativa desde sua primeira viagem à metrópole americana, no fim dos anos 1980. A coleção traduz essa conexão por meio de referências à cultura pop, à arte e ao espírito cosmopolita que fazem de Nova York um dos centros criativos mais influentes do mundo.
Não por acaso, elementos ligados à Pop Art atravessam o desfile, reforçando a relação histórica da cidade com movimentos artísticos que transformaram o cotidiano em expressão cultural. Entre tradição francesa e energia urbana nova-iorquina, a Louis Vuitton constrói uma narrativa que une moda, viagem e arte contemporânea.




Dentro dessa proposta, Keith Haring reaparece como uma das principais referências da coleção. Símbolo da Pop Art e da cena cultural novaiorquina dos anos 1980, o artista teve seu universo visual traduzido em roupas e acessórios apresentados no desfile. Modelos clássicos da Louis Vuitton, como Speedy, Alma e Petite Valise, surgem reinterpretados com estampas e intervenções inspiradas em suas obras, enquanto a histórica mala da maison dos anos 1930 customizada por Haring em 1984 marcou a abertura da apresentação.



A coleção também leva adiante a ideia de transformar objetos cotidianos em peças de moda. Luvas de boxe, caixas de comida para viagem, discos de vinil, latas e até elementos arquitetônicos aparecem convertidos em bolsas e acessórios de passarela, reforçando a relação entre arte, cultura pop e a energia criativa de NY explorada por Nicolas Ghesquière na Cruise 2027.
