A delicadeza do feito à mão: Thayná Caiçara marca o tapete vermelho de Cannes com o talento de bordadeiras brasileiras

Vestido de linho branco com pássaros exóticos da Mata Atlântica brilhou ao exaltar arte cheia de histórias de vida; projeto social dá protagonismo ao que das raízes culturais do Brasil

Bordado brasileiro é destaque no tapete vermelho de Cannes | Foto: Fattí Ärantes

A passagem da modelo e empresária Thayná Soares pelo Festival de Cannes 2026, neste sábado, dia 23, levou ao cenário mais prestigiado do cinema mundial um vestido delicadamente produzido pelo talento de bordadeiras de Paraty, no Rio de Janeiro. A peça de linho belga branco eleva muito mais que um conceito de moda. Destaca, ao mesmo tempo, o simbolismo da força da mulher e a valorização do feito à mão.

O vestido levou meses para ficar pronto. Teve a participação intensiva de 17 bordadeiras do projeto social da marca Thayná Caiçara na terra natal da modelo. Ela fez questão de destacar que o Brasil está em alta no cenário mundial ao dar valor às manualidades, ao artesanal que tem rosto, identidade de quem produz. “O nosso movimento é para que as bordadeiras tenham protagonismo quando o trabalho artístico delas está no holofote, reforçando a cultura e a história delas”, afirma.

As 17 bordadeiras responsáveis pela criação do vestido desenvolvido por Thayná Caiçara em parceria com a Casa da Cultura de Paraty. | Foto: Paulo Êutico

Para Thayná até o linho escolhido fala de renovação. “Esse é um tecido pouco usado no tapete vermelho pelas mulheres, mas é o que escolhemos usar na marca desde sempre. Nesse look apostamos numa saia muito rodada para que todas as artesãs pudessem trabalhar juntas, refinando a técnica e trocando experiências. Quero que elas se fortaleçam como mulheres que carregam uma cultura muito forte, sendo capazes de empreender”, comenta.

O projeto nasceu da conexão entre moda, ancestralidade e valorização do trabalho manual brasileiro, levando para diferentes países trajetórias pessoais, pertencimento e transformação social. Segundo Thayná, no exterior esse trabalho é muito bem valorizado. As pessoas querem saber de onde vêm aquela arte que transmite brasilidade. Mas no país de origem ainda enfrenta preconceito e desvalorização.

Depois de conquistar espaço em Paris e Nova York, a marca criada por Thayná Soares reafirma em Cannes que o luxo brasileiro também nasce das mãos simples de artesãs, das raízes da cultura popular e da potência feminina. O vestido desse tapete vermelho será apresentado em exposições internacionais, mantendo o compromisso de com as origens.

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