Ao revisitar a coleção apresentada em Nova York em 2000, estilista resgata referências de Carmen Miranda, incorpora novos símbolos da cultura brasileira e reinventa códigos que marcaram sua trajetória no beachwear

Mais de duas décadas depois de apresentar sua primeira coleção fora do Brasil, Amir Slama retorna a um capítulo decisivo do seu legado. Em seu próximo desfile no SPFW, o estilista mergulha no próprio arquivo e revisita uma coleção apresentada em Nova York, em 2000, como ponto de partida para uma viagem por sua própria produção artística, não como exercício de nostalgia, mas como investigação sobre o que permanece e como sua visão se transformou desde então.
Formado em História, Amir sempre fez do passado matéria da sua criação. Desta vez, porém, é o próprio trabalho que se transforma em arquivo. Ao olhar para uma coleção criada há 26 anos, o estilista reimagina códigos, formas e ideias fortes o suficiente para atravessar o tempo e continuar relevantes duas décadas depois.



Na coleção de 2000, apresentada durante a Semana de Moda de Nova York, Carmen Miranda surgia como uma das principais referências. Longe de uma leitura alegórica, Amir partiu de sua imagem para investigar uma ideia de brasilidade e propor uma moda que transitava entre praia
e cidade, corpo e roupa, informalidade e sofisticação. O desfile teve forte repercussão internacional e marcou também uma transformação na maneira como o estilista compreendia a própria identidade. “Comecei a me perceber não só como brasileiro, mas como latino-americano”, relembra
Em 2026, essas imagens retornam atravessadas pelo tempo e por um novo imaginário. Carmen encontra Iemanjá e as entidades ligadas às águas, aos rios e ao mar. O amarelo e o azul presentes naquele desfile reaparecem na paleta, enquanto construções que valorizavam o busto são retomadas e transformadas. Mais do que reproduzir peças ou silhuetas, Amir recupera gestos de sua própria linguagem para descobrir novas possibilidades dentro deles.
Um dos maiôs mais icônicos da coleção de estreia de Amir no NYFW, em 2000, usado por Adriana Lima para abrir o desfile, volta às passarelas em uma reedição com três novos tons de pele e promete revisitar um dos capítulos mais importantes da história do beachwear brasileiro.
“Quando a gente trabalha com moda, ela não é datada. A gente consegue olhar para uma coleção de 25, 26 anos atrás e perceber que ela tem muitas coisas que permanecem atuais, porque são atemporais”, afirma. “É esse exercício de olhar para o passado, sempre procurando novas possibilidades de construção e criação no presente.”



No novo desfile, Amir transforma o próprio percurso em matéria-prima. Entre arquivos, memórias e imagens que atravessaram mais de duas décadas de criação, o estilista não retorna ao passado para reproduzi-lo, mas para observar o que sobreviveu ao tempo e reafirmar o seu legado como um dos nomes mais importantes do beachwear brasileiro.
Na ambientação do desfile, a Avatim, marca brasileira referência em perfumaria, bem-estar e criação de experiências olfativas marcantes, amplia sua presença no universo da moda ao assinar a identidade olfativa da apresentação com a fragrância Amir Slama, da linha Esplendor.
A iniciativa reforça a conexão entre perfumaria e moda, incorporando uma nova dimensão sensorial à apresentação da coleção. “Acreditamos no poder das fragrâncias de despertar emoções e transformar experiências. Estar novamente ao lado de Amir Slama é uma oportunidade de explorar essa conexão entre moda e perfumaria, tornando o desfile ainda mais marcante”, afirma Mônica Burgos, sócia-fundadora da Avatim.
O styling do desfile é assinado por Daniel Ueda e a beleza por Murilo Mauricio, da Casa Conceito Jardins. Luz da Lua e Kalu Joias desfilam em collabs exclusivas de acessórios e sapatos. Amir também desenvolveu bordados em parceria com Marie Mercié e crochês exclusivos com Leila Denise. Casa Bauducco preparou uma ação especial para celebrar a nova coleção. Mercado Livre, Avatim e Mantecorp entraram como parceiros importantes nesta edição do SPFW.
