HISHA apresenta Alforje e transforma as estradas de Minas Gerais em bordado na São Paulo Fashion Week

Terceira parte da travessia iniciada em Barroca e aprofundada em Doura, Alforje leva para a passarela referências da montaria, da geologia e das pedras preciosas

Hisha SPFW N61 | Foto: Marcelo Soubhia/ @agfotosite

A HISHA apresenta Alforje na São Paulo Fashion Week N61, em 16 de outubro, no PACUBRA. Terceira parte de uma travessia iniciada em Barroca
e aprofundada em Doura, a coleção coloca a mulher mineira em movimento e transforma as estradas de Minas Gerais em matéria para a moda. Referências da montaria e da selaria, da geologia, da terra e das pedras preciosas aparecem em novas construções, volumes, texturas e bordados.

Uma mulher, um lugar, um caminho

As três coleções acompanham a mesma personagem em diferentes momentos de sua travessia. Barroca apresentou a mulher mineira, sua cultura, seus desejos e o gesto de bordar. Doura revelou Minas Gerais como o território onde ela reconhece o próprio valor. Em Alforje, ela parte

Antes de seguir caminho, surge uma pergunta: o que eu levo comigo? O alforje, bolsa de carga utilizada nas montarias, torna-se metáfora dessa escolha. Um espaço limitado diante de uma longa jornada, onde não é possível carregar tudo, apenas aquilo que importa.

Da paisagem à forma

A pesquisa de Giovanna Resende, fundadora e diretora criativa da HISHA, parte das paisagens encontradas nas estradas mineiras: a terra vermelha, as erosões, o quartzo, a pedra bruta, os animais e as estruturas da montaria. Esses elementos dão origem aos três principais universos visuais da coleção:

● Montaria e selaria: correias, fivelas, encaixes e amarrações são reinterpretados em estruturas, recortes e volumes que acompanham o corpo em movimento. O look de abertura, por exemplo, carrega uma referência do alforje nos volumes da calça e a estrutura do corset foi inspirada no shape das Selas. Além disso, as peças carregam materiais em madeira e acrílico.

● Geologia e paisagem: terra, barro, erosões e veios minerais aparecem em camadas, relevos e texturas terrosas, criando contrastes entre o bruto e o delicado. Nas peças, será possível enxergar a família da estampa inspirada no mapa de Minas Gerais e no terceiro look, que tem um bordado da paisagem das montanhas de Minas.

● Preciosidades mineiras: o brilho da matéria revelada se transforma em bordados luminosos, pontos em relevo e diferentes densidades de superfície. Para esse universo, foram desenvolvidos acessórios assinados e bordados pela HISHA com um artesão que utilizou ametistas, quartzos, cristais, ágatas, prata e cobre curados por Giovanna Resende nas últimas viagens dela pelo Brasil.

Alforje traduz esses códigos para a linguagem da HISHA, em uma coleção composta por 53 looks que aproximam matéria, memória e fazer manual

A Estrada Real como camada histórica

A Estrada Real surge na pesquisa como uma das camadas históricas das estradas mineiras. Criados no período colonial para organizar e controlar a circulação de riquezas como ouro e diamantes, esses caminhos também estão relacionados à exploração do território e ao trabalho de pessoas escravizadas.

A HISHA não busca celebrar ou reconstituir essa história, mas olhar para os caminhos de Minas a partir de uma perspectiva contemporânea, investigando a paisagem, os materiais e os deslocamentos que permanecem como parte da memória do território.

O bordado como valor

Assinatura da HISHA, o bordado conecta os três universos da coleção, ele transforma o mineral em linha, o relevo em superfície e a matéria bruta em ornamento.

Em Alforje, o valor se desloca daquilo que é retirado da terra para aquilo que permanece nas mãos de quem produz: o conhecimento, o tempo, a técnica e a autoria. As peças foram bordadas à mão, reforçando o fazer manual como parte essencial da construção de cada roupa.

“Alforje nasceu da pergunta que antecede qualquer partida: o que escolhemos levar conosco? Olhei para as estradas de Minas, para a terra aberta, para as pedras, os animais e as estruturas da montaria. Mas o que a HISHA verdadeiramente leva pelo caminho é o bordado, o conhecimento e a autoria das mulheres que constroem cada peça”, afirma Giovanna Resende.

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